07/08/2008

Sobre gatos

Felis lybica

ORIGEM

Os paleontólogos dizem que seu antecessor era um animal que viveu há 50 milhões de anos, e assemelhava-se à doninha, com corpo longo e patas curtas. Provavelmente, ele também foi o ancestral dos cães e ursos.

O primeiro animal que deu origem à família dos felinos surgiu dez milhões de anos mais tarde, muito antes do aparecimento do Homem sobre a Terra. Ele tinha o tamanho aproximado de um lince e assemelhava-se ao gato moderno; contudo, seus caninos eram mais desenvolvidos e seu cérebro menor. Segundo alguns cientistas, essa espécie, denominada Dinictis, evoluiu em duas direções: uma delas originaram os grandes felinos pré-históricos, com dentes-de-sabre, extintos ainda na pré-história; a outra, engloba a família Felidae, da qual pertencem todos os felinos selvagens e, consequentemente, o gato doméstico.

Antropólogos e zoologistas acreditam que o gato doméstico surgiu a partir do Felis lybica (foto acima), sendo essa a teoria mais amplamente difundida. Existem muitas teorias a respeito da aproximação dos gatos com o homem. Essa associação pode ter ocorrido desde a pré-história, conforme relatam alguns registros. Mas o fato é que a domesticação ocorreu em função das necessidades de ambos: o gato encontrava maior facilidade para obter alimento junto ao Homem que, por sua vez, livrava-se de roedores e pequenos predadores.

Na natureza, cada espécie sofre mutações ocasionais, que podem levar centenas ou milhares de anos, para que se adaptem às mais diferentes condições ambientais, dentro de cada época de sua existência e de suas necessidades para a sobrevivência. Porém, no caso dos gatos, junto com a domesticação veio a interferência do homem nesse processo evolutivo, fazendo com que fossem desenvolvidas espécies e raças de felinos cuja forma, pelagem e coloração jamais teriam sido criadas expontaneamente na vida selvagem. Ou seja, todas as raças de gatos domésticos que existem atualmente são frutos de acasalamentos influenciados, promovidos ou controlados pela ação do Homem.


MITOS E LENDAS: AMADOS OU ODIADOS?

altar para Bast e Sekhmet
No Antigo Egito, eles eram personificados em importantes deuses da época, como o deus Ra e a deusa Mafdet, e também Bast e Sekhmet; cada entidade egípcia tinha um animal associado a ela, como representação de sua forma física; Bast tornou-se tão importante, que os gatos eram adorados e considerados sagrados em todo o Egito.

Os gatos dos templos viviam na corte; cuidá-los e abrigá-los era considerado uma honra especial passada de pai para filho; os sacerdotes os observavam atentamente esperando interpretar mensagens das deuses através deles.

Na China, havia um deus da agricultura em forma de gato; no Peru, um deus felino da sensualidade; na Irlanda, um outro com a cabeça de gato; nos países nórdicos, os gatos estavam relacionados com outras duas deusas. Na China, haviam gatos bons e maus, que eram diferenciados facilmente, já que (conta uma lenda) os maus possuíam duas caudas!

Sempre vítimas de extremos, na Idade Média passaram a ser brutalmente perseguidos, do século XII até o final do século XVII: a Igreja Cristã associou as velhas religiões com o demônio e os gatos, principalmente os pretos que, segundo pensavam, era a forma com a qual o próprio Satã se materializava.

Essa idéia logo se difundiu por toda parte: seguidores de religiões e cavaleiros dos templos eram forçados a confessar, sob cruel tortura, que haviam venerado o demônio na forma de um gato preto; então, eram condenados à morte. Surgiu o culto de São Vito em Metz, na França, em 1344: a cada ano, e por mais de 4 séculos, o povo queimava publicamente 13 gatos vivos aprisionados numa gaiola. Na coroação da rainha Elizabeth, gatos vivos foram aprisionados e levados numa procissão, representando o demônio sob o controle da Igreja; no final da procissão, foram queimados vivos.

Enquanto isso, o extermínio avassalador provocava um crescimento incontrolável da população de roedores, que destruíam plantações, invadiam casas e disseminavam doenças por toda parte. Como consequência, a Europa viveu uma das maiores epidemias de pestes virulentas provocadas por ratos de sua História.

No século XVII, o repentino interêsse pela bruxaria tornou a perseguição aos gatos ainda mais feroz: foi o período tão conhecido como “caça às bruxas”, na Europa e também na América, que foi acometida com a mesma violência: leia-se, por exemplo, os registros dos julgamentos das bruxas de Salém, em Massachussets, na América do Norte. Senhoras idosas e solitárias que possuíam um gato de estimação eram acusadas e condenadas por bruxaria, e submetidas a torturas até que confessassem. Então, eram queimadas vivas, publicamente.

A despeito de tudo isso, em várias partes do mundo os gatos também foram amados e tidos como portadores de boa sorte a quem os possuía; no sul da França, havia uma lenda dos gatos mágicos, chamados de "matagots": eles traziam sorte e fortuna a quem os acolhia e amava.

Lordes conquistavam reinados pela inteligência e astúcia de seu gato: a lenda do Gato de Botas teve sua origem em fatos verídicos, obviamente, salpicados de muita fantasia. Uma das muitas lendas diz que Maomé os amava tanto, que deu a eles o “M” que vemos na testa dos gatos tigrados.

No século XVI, um prisioneiro em Londres foi aquecido e alimentado por uma gata: era permitido que ele cozinhasse o alimento que conseguia, apesar de lhe ser fornecido no cárcere a mais pobre das refeições. Assim, ele alimentava-se dos pombos que a gata lhe trazia. Existem inúmeras histórias verídicas de gatos que salvaram a vida de membros das famílias com as quais viviam. Histórias de bravura, valentia, inteligência, companheirismo e lealdade, escritas por todos os povos do mundo, ressaltando seu valor, suas habilidades, sua inteligência, beleza e sua percepção. E a convivência com eles nos mostram que, essas sim, são histórias que correspondem à realidade.

Poemas, músicas e pinturas dedicadas a eles também são conhecidas em todo o mundo: Ravel incluiu dois siameses em seu “Lénfant et les sortilèges”, por Colette, que também amava os gatos, seus companheiros inseparáveis enquanto ela escrevia. Vários poemas de Montaigne descrevem seu relacionamento com seus gatos.


SUPERSTIÇÕES FELINAS PELO MUNDO

gato preto

  • China e Japão: a sorte pode mudar se surgir um gato desconhecido de repente
  • Escócia: um gato preto na porta de casa significa prosperidade.
  • Estados Unidos: se um bichano sentar com as patas traseiras viradas para uma fogueira, o seu dono pagará um belo resfriado.
  • França: dá tremendo azar atravessar um rio carregando um gato.
  • Inglaterra: se o fofucho levantar a parte de trás das orelhas, é sinal de que vai chover.
  • Itália: ouvir o espirro de um gato é sinal de coisas boas.
  • Tailândia: antigamente, acreditava-se que a alma de pessoas ficava no corpo de gatos sagrados antes de seguir para outra vida.
  • Brasil: se um gato preto cruzar o caminho de alguém é sinal de azar.

3 comentários:

  1. Excelente artigo. Super completo!
    Abraços

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  2. Olá amigo. Legal teu blog.
    Quer fazer parceria com meu blog?
    Pode ser de link ou de banner.
    Um abraço..

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  3. AMO gatos! São animais maravilhosos.
    ótima postagem, parabéns! Um abraço.

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